Wangari Maathai foi uma ativista ambiental e política do Quênia, fundadora do Green Belt Movement, movimento que já ultrapassou a marca de 51 milhões de árvores plantadas e ajudou milhares de mulheres a gerar renda e recuperar comunidades inteiras. (Goldman Environmental Prize)
Líder ambiental e primeira mulher africana a vencer o Prêmio Nobel em 2004, nasceu e cresceu numa vila rural em Nyieri, no centro da atual República do Quênia, na época sob o domínio britânico. Sua mãe era uma agricultura e o pai trabalhava como mecânico e motorista. Até o ensino médio sua educação dependeu de missionários católicos. Incentivada por seu professor de Ciências, e por seu gosto por química e biologia, decidiu que não seria professora ou enfermeira, únicas opções para garotas africanas em 1950, mas que entraria na Universidade.
Ela estudou na Universidade de Pittsburg, nos Estados Unidos. Em 1966 retornou ao Quênia, passando a lecionar no Departamento de Veterinária e Anatomia da Universidade de Nairóbi. Nesse ano ela também conseguiu abrir uma loja com suas irmãs e conheceu o futuro marido, Mwangi Mathai. Realizou estudos de doutorado na área de medicina veterinária em Nairóbi (1971), sendo a primeira mulher da África Oriental a obter esse título.
Deu à luz ao primeiro dos três filhos com Mwangi em 1969, que a deixou em 1970, tendo-se divorciado em 1979, de forma litigiosa. Nos anos 1970 Maathai se envolveu com a Cruz Vermelha e com a Associação Queniana das Mulheres Universitárias. Também se juntou ao Centro Liaison de Meio-ambiente, que trabalhava juntamente com o programa de meio-ambiente das Nações Unidas.
Seu trabalho com o Conselho Nacional das Mulheres do Quênia (NCWK) foi a maior fonte de inspiração para o trabalho que seguiria depois. Como ela descreve, aprendeu que as mulheres nos meios rurais têm uma enorme conexão com a degradação ambiental, o que a levou um dia a pensar: “por que não plantar árvores?”. Foi esta a origem do Green Belt Movement, organização que ela fundou em 1977 com o apoio do NCWK. O trabalho baseava-se no plantio de árvores por mulheres nos arredores de Nairobi, como forma de proteger o solo contra a erosão. Em 1992 mais de dez milhões de árvores tinham sido plantadas, com trabalho assegurado a 80.000 mulheres, e foi então criado o Uhuru Park.
Paralelamente, ela entrou na vida política, tendo tido papel decisivo na afirmação de democracia no país, o que a levou a ser indicada em 2003 para o cargo de Ministra do Meio Ambiente. Por sua carreira e ativismo em defesa do meio ambiente, justiça e direitos humanos ela ganhou o Prêmio Nobel em 2004.
A história de Wangari Maathai prova que uma única pessoa, com coragem e convicção, pode desafiar sistemas inteiros.
Não foi apenas sobre árvores.
Foi sobre liberdade, dignidade, mulheres, comunidades e futuro.





