CERTO E ERRADO

O QUE TE ESTIMULA A TOMAR DECISÕES RUINS?

“O homem está condenado a ser livre”, já dizia Sartre em sua maravilhosa obra ‘O Existencialismo é um Humanismo’. O homem está condenado porque é livre para escolher, mas não é livre da escolha, logo, o risco de arrependimento é sempre muito grande.

Somos responsáveis por todas nossas decisões e não temos qualquer garantia de qual caminho é certo, por isso quebramos tanto a cabeça tentando descobrir porque tomamos a decisão errada, quando poderíamos ter feito diferente. Por que não vemos antes, aquilo que depois do erro passa a ser tão claro?!

Inúmeras pesquisas já foram realizadas na tentativa de entender por que cometemos tantos erros e, pelo visto, alguns fenômenos do nosso pensamento são os culpados. Agora chega de quebrarmos a cabeça depois de equívocos, vamos descobrir quais fenômenos são esses e evitar a fadiga com relação a decisões futuras, afinal é sempre possível mudar de atitudes e de pontos de vista:

1 – A rima pode te induzir

Cuidado com rimas, elas aumentam as chances de acreditarmos em uma frase. É tão bizarro que chega ser inacreditável? Pois é, ainda que estranho, já é comprovado cientificamente.

Esta técnica é muito usada pelo marketing, pois acredita-se que as chances de você vir a consumir o produto após ouvir uma propaganda com rimas é maior.

Somos constantemente induzidos a tomar decisões sem pensar, por isso devemos estar sempre atentos àS influências externas, seja na hora de uma compra ou em um simples diálogo. Questione-se antes de qualquer escolha.

2– O efeito IKEA

Este fenômeno refere-se a ideia de que tendemos a valorizar sempre mais o que é criado por nossas mãos ao que é feito por outro.

Supomos que você tem uma banda e está compondo uma música, mas o baterista, também inspirado, resolve fazer o mesmo. E agora? Saiba que a tendência é você preferir a sua composição, e a culpa é do efeito IKEA.

O processo de criação de um item completo não é simplesmente um trabalho de amor; é uma demonstração das nossas capacidades. Aqueles que já foram humilhados devido a suas habilidades tendem anexar ainda mais valor ao que produzem.

Vemos consequências desse fenômeno o tempo inteiro, principalmente quando trata-se de ideias.  Um bom exemplo é quando alguém, em um cargo de chefia, nega-se a ouvir uma ideia extremamente boa por ser de um subordinado e opta pela sua, já condenada a falhar.

3 – Efeito de Dominância assimétrica

É o fenômeno que acontece quando temos uma mudança drástica na preferência entre duas opções, apenas por uma terceira ser apresentada.

Um dos exemplos mais conhecidos do efeito isca ou Dominância assimétrica é uma página de assinatura da revista norte-americana The Economist. O professor Dan Ariely testou o fenômeno com os alunos do MIT pedindo que escolhessem entre 3 tipos diferentes de assinaturas mensais:

a) Assinatura online por R$59,00
b) Assinatura impressa por R$125,00
c) Assinatura impressa + Versão online por R$125,00
Nesse cenário 84% das pessoas escolheram a assinatura impressa + online e 16% a assinatura online. Ou seja, as pessoas preferiram a opção C. Ninguém escolheu a opção “B”.

Depois ele testou um segundo cenário, no qual pediu que as pessoas imaginassem que a The Economist forneceria apenas duas opções:

a) Assinatura online por R$59,00
b) Assinatura impressa + Versão online por R$125,00

Quando as opções foram apresentadas dessa forma 68% dos participantes escolheram a assinatura online e 32% escolheram a assinatura impressa + online. Ou seja, elas passaram a preferir a opção A à opção C e aconteceu uma violação na consistência das preferências.
Isso nos mostra que, muitas vezes, tomamos decisões com base no número de opções e não no que realmente importa.

4 – Falta de empatia

A empatia, que em resumo é a capacidade que algumas pessoas têm de se colocar no lugar das outras, é uma das características que certamente tornaria o mundo um lugar melhor.

Para entender como a mesma funciona, cientistas observaram as respostas de dois grupos de pessoas – um tinha acabado de terminar uma série de atividades físicas; o outro estava prestes a começar a se exercitar. Quando foram informados a respeito de um andarilho que estava perdido sem água nem comida. As pessoas que tinham acabado de se exercitar, e que possivelmente estavam com sede e fome foram as que mais se comoveram com a situação do andarilho. Ou seja: elas sabiam, ainda que de maneira totalmente diferente, o quão horrível é sentir sede e fome, portanto conseguiam ver através da perspectiva daquele que passava necessidades.

A falta de empatia é extremamente prejudicial as relações interpessoais e, consequentemente, as tomadas de decisões.
Colocar-se no lugar do outro, além de um exercício de cidadania bem básico, é também sinal de inteligência emocional e maturidade social.

5 – O Efeito Peltzman

Nomeado pelo professor da Universidade de Chicago Dr. Sam Peltzman, o efeito afirma que o uso de dispositivos de segurança, faz com que muitas pessoas se tornem mais imprudentes, pois a sensação de proteção causada por esses objetos estimula decisões mais arriscadas.

Um estudo da Universidade de George Washington, constatou que jogadores de hóquei passaram a ter comportamentos mais arriscados após o uso de viseiras tornar-se obrigatório.

O poder do efeito Peltzman ainda está em debate, afinal, é muito difícil medi-lo cientificamente, mas sabe-se que ele pode aparecer em diversas situações.

6 – Achar que a justiça sempre virá

Há sempre coisas ruins acontecendo no mundo, e na maioria das vezes não há nada que possamos fazer sobre isso, então, passamos a procurar uma forma de conciliar o horror do mundo com nossas vidas. Uma das maneiras é pensarmos que a justiça virá mais cedo ou mais tarde – no caso de um assassino que ainda não foi capturado, pode ser até reconfortante pensar dessa forma, mas infelizmente esse tipo de pensamento é uma faca de dois gumes e pode fazer com que você tome péssimas decisões.

O psicólogo social Melvin Lerner realizou uma série de pesquisas para descobrir o impacto que essa crença em um mundo aonde a justiça chega uma hora ou outra tem sobre nós.

Em um estudo feito em 1996, Lerner selecionou um grupo de pessoas, e as colocou para assistir um suposto experimento cruel, onde pessoas recebiam choques elétricos enquanto os observadores não podiam fazer absolutamente nada para interromper. O resultado? Em pouco tempo os observadores estavam convencidos de que aquelas pessoas estavam levando choque porque mereciam.

Na prática, presenciamos esse tipo de julgamento diariamente, seja por pessoas acreditando que a mulher assediada mereceu passar por aquilo, seja quando há oposição à ajuda governamental destinada a pessoas carentes, enfim, exemplos para citar, infelizmente, não faltam. Eis o lado negativo de acreditar em um mundo que, mais cedo ou mais tarde, faz justiça sozinho.

Essa crença, na verdade, é tão intrínseca que raramente a questionamos. Ela significa que nós precisamos encontrar um meio de justificar as coisas ruins que acontecem com a humanidade. Um estudo feito em 2009 sugeriu que memoriais do Holocausto acabam, na verdade, promovendo a cultura antissemita entre os visitantes. É quase como se, vendo o lugar onde milhões de judeus foram mortos, esses turistas passassem a acreditar que eles mereceram passar por aquilo. É ou não é horrível?

Por que muitos de nós não conseguem assumir um mundo injusto? Talvez seja mais fácil aceitar tantas situações de sofrimento, se imaginarmos um merecimento para elas, afinal, conceber a ideia de que coisas ruins acontecem com pessoas “boas”, não é muito simples.

“…os acontecimentos são atraídos pelas pessoas… e não as pessoas pelos acontecimentos. Por que será que algumas pessoas parecem ter vidas excitantes, e outras vidas cacetes? Por causa das circunstâncias? Nunca. Há homens que podem ir até os confins do mundo que nada lhes acontece. haverá um massacre na semana antes dele chegar, e um terremoto no dia seguinte à sua partida, e o navio, que quase pegou, afunda. Mas outro mora no subúrbio e vai trabalhar na cidade todo dia, e coisas lhe acontecem. Fica envolvido com quadrilhas de chantagistas ou mulheres deslumbrantes, ou bandidos motorizados. Há pessoas com talento especial para naufrágios, mesmo num laguinho ornamental alguma coisa lhes acontece.”

Agatha Christie

FONTE: https://equilibrioemvida.com/

 

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