Morre Oliviero Toscani, o fotógrafo que transformou a publicidade de moda em manifesto político

Em um outdoor, três fotos de corações (o órgão mesmo) lado a lado apresentam, sobre cada uma das imagens, as palavras white, black, yellow (branco, preto, amarelo). Na lateral, o logo da marca de roupas italiana United Colors of Benetton. Em outra publicidade da grife, uma mancha de sangue vermelha se espalha sobre um fundo branco – no topo da imagem, um apelo da comissão em prol de refugiados da ONU, pedindo doações para os desabrigados da guerra de Kosovo. Por trás dessas propagandas provocativas e nada convencionais estava o fotógrafo italiano Oliviero Toscani.

Hoje (13.01), foi anunciado o falecimento de  OlivieroToscani, aos 82 anos, fotógrafo que mudou a publicidade ao transformá-la em um palco e vitrine para questões sociais. Conhecido principalmente por suas campanhas para a #UnitedColorsofBenetton nos anos 1980 e 1990, o italiano abordou temas como racismo, AIDS e a pena de morte, rompendo com o tradicional papel da fotografia comercial em campanhas de moda.

Imagens como o beijo entre um padre e uma freira, ou o retrato da modelo Isabelle Caro denunciando a anorexia, marcaram sua trajetória, frequentemente acompanhada de polêmicas e censuras. Toscani também fundou a revista #Colors e dirigiu o #Fabrica, think tank criativo da Benetton, consolidando sua visão disruptiva e instigante.

Com uma carreira que passou por marcas como #Chanel, #Valentino e #Fiorucci, além de revistas como Vogue e Esquire, Toscani se destacou por transformar a imagem em manifesto. O image maker deixa não só um legado de provocações visuais que desafiaram convenções, como uma filosofia em que a beleza é agente transformador, servindo para incomodar, questionar e dar novos horizontes a uma linguagem universal, como é o caso da fotografia.

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