O multiartista ipatinguense Matí Lima, comemora 24 anos de ofício no teatro e explora toda sua
pluralidade enveredando por outras áreas artísticas.
Tendo iniciado sua carreira profissionalmente no Grupo Perna de Palco em 1999 (fundado e
dirigido por Luzia di Resende), onde colaborou nos trabalhos durante 06 anos; toda a experiência
ali adquirida foi a base que adubou o solo que o artista mantém fértil em sua trajetória.
Ainda um jovem ator; em 2001, seu amigo de longa data, o saudoso ator Sérgio Britto o
aconselhou dizendo: “Entenda que você é um artista negro. Você receberá poucos convites para
atuar. Se você quer estar em movimento na arte é preciso que você produza seus próprios
projetos. Aprenda tudo que o teatro te oferecer de possibilidades e se necessário bata nas
portas daqueles que admira para acessar o conhecimento”.
Foi embasado nos conselhos de um dos maiores atores que esse país já teve, que o artista se
capacitou trabalhando com profissionais como o Grupo Ponto de Partida, o Grupo Cara de Palco,
o iluminador Jorginho de Carvalho, o produtor e diretor de arte Reis de Barros, o designer e
arquiteto Gringo Cardia, a produtora cultural Natália Simonete, a premiada cenógrafa e diretora
de arte Bia Junqueira, entre outros que impulsionaram sua jornada.
Hoje muitos conhecem Matí Lima como ator, diretor, dramaturgo, iluminador, diretor de arte,
cenografo, educador e professor de teatro, produtor cultural e gestor cultural. E cada uma
dessas funções o artista exerce com competência e expertise.
MOVIMENTO E EBULIÇÃO
Inquieto Matí Lima, residiu na cidade do Rio de Janeiro de 2011 a 2018. Contribuindo na
construção cultural da cidade.
Em 2015, fundou junto a outros artistas a PAR Cia de Teatro, sendo a primeira companhia de
teatro com atores e atrizes com e sem deficiência, atuando profissionalmente com total
autonomia. Foi na PAR e nos projetos realizados pela Cia que muitos artistas deram os primeiros
passos.
“Tenho uma coisa que para muitos é loucura. Eu enxergo as pessoas! Foi assim que provoquei a
multiartista Moira Braga em 2015 e a mesma acolheu a provocação e se permitiu experienciar
como atriz. Hoje Moira está Preparadora Corporal e Atriz da novela “Todas as Flores”, disponível
no GloboPlay. Há alguns anos, assumi o propósito de olhar para as humanidades e suas
potencialidades da forma que a minha própria humanidade e potencialidade nunca foi
enxergada”.
Em 2018, Matí Lima retornou a Ipatinga e em 2019, idealizou e fundou o primeiro espaço cultural
dentro da periferia onde o mesmo nasceu e foi criado. Em 2020 o espaço encerrou as atividades
presenciais em razão do COVID 19, migrando toda as atividades para o virtual.
Neste ano, o mesmo reabriu a Sede do ECOAR – Espaço Cultural Ofício e Arte que comemorou
04 anos de atividades ininterruptas e vem ofertando, gratuitamente, diversas ações formativas
para a comunidade periférica do Vale do Aço, com foco nas regionais 08 e 09 da cidade de
Ipatinga. Situado no bairro Limoeiro, na Avenida Sanitária, 2291, o ECOAR atende também as
comunidades dos bairros próximos de sua Sede.
A reabertura do ECOAR ocorreu através da seleção do Projeto “Periferia em Movimento”, no
Edital Rio Doce da Fundação Renova; tendo por objeto ofertar ao público das periferias de
Ipatinga diversos cursos, sendo: Curso Livre de Teatro; Curso de Fotografia com Smartphones;
diálogos sobre negritude e vivências periféricas no projeto “Papo Preto = Poder Periférico”.
Segundo Matí Lima, a primeira vez que pensou arte com recorte territorial foi em 2010, quando
teve autorização para captação de recursos privados através da Lei Estadual de Incentivo à
Cultura de Minas Gerais para o projeto “Periferia – Um Canto Brasileiro”, que infelizmente não
conseguiu captar recursos junto a iniciativa privada. Hoje tenho consciência que a estrutura em
que somos moldados enquanto sociedade sempre olhou a periferia como carência e nunca
como potência. Em 2010, eu pensava periferia através da modus operandis do olhar
hegemônico sobre o que é produção cultural. Levei 12 anos para iniciar meu processo de
desconstrução e ao mesmo tempo de reconstrução, agora retomarei o sonho de realização de
“Periferia – Um Canto Brasileiro”, pois como disse o poeta: “Os sonhos não envelhecem”.
MUSICA
Em 2020, durante o isolamento social devido à COVID 19, o artista se reconectou com sua
ancestralidade, o que desdobrou na reconexão com a musicalidade. Quando o mesmo realizava
o projeto “PAPO PRETO = PODER PERIFERICO” através da Lei Aldir Blanc, compôs sua primeira
música, intitulada “Engrenagem” e que foi a trilha de abertura do projeto e tem coloboração
poética e arranjos de Felipe Storino e está disponível no Youtube @matilimaoficial. Em 2021, o
artista encaminhou a canção para o produtor da saudosa Elza Soares, que fez com que a mesma
chegasse às mãos da artista, tendo um retorno atencioso e positivo.
Em 2023, Matí Lima estreou oficialmente como cantor no até então “Sarau Musical”, idealizado
e produzido pelo multiartista Gabriel Poeta. Da parceria e troca de experiências entre esses dois
gigantes, o Sarau Musical tornou-se um projetomovimento chamado “Sarau Autoral” e está
ressignificando o cenário musical do Vale do Aço. Matí Lima assumi nesse projeto a produção
junto com Gabriel Poeta e também tem soltado a voz mostrando ao público seu trabalho
autoral.
“A contribuição para a cultura e a música brasileira que Gabriel Poeta vem realizando é
imensurável. É inédito no Vale do Aço o que ele está fazendo e da forma que está fazendo.
Reunindo tantos talentos, jovens e já experientes na música, que não tinham escuta para suas
produções autorais e ainda apresentando a pluralidades de riquezas autorais de nossa região. O
público até então estava acostumado a ouvir nas noites, profissionais realizando cover de
artistas consagrados e o Sarau Autoral se posicionou comprovando que há espaço para o
trabalho autoral e principalmente que, o Vale do Aço é um celeiro de potencias que precisam
ser valorizadas”.
Hoje o artista já conta com 57 canções de sua autoria; duas já foram lançadas através da
gravadora East Side Syndicate. Lançada em março, com produção de Tenkay, “Iscariotes” está
disponível em todas as plataformas e seu último lançamento ocorrido essa semana,
“Afrobrasilidades” composta em colaboração com o artista Taku e produzida por Tenkay, está
disponível no youtube @eastsidesyndicate.
NEGRITUDES
Esse ano, numa parceria com o multiartista Gustavo Nascimento e a multiartista Dani Adestino;
através de seus coletivos: Negrume, Coletivo Negro do Vale do Aço e ECOAR. Matí Lima é coprodutor do projetomovimento “QUARTA PRETA” que já teve a 1ª Edição realizada em 15 de
março e a 2ª Edição realizada em 17 de maio.
“Através desse projeto estamos repensando as artes negras no Vale do Aço. Há muito tempo
não ocorria em nossa região um movimento de estudo, avaliação, incentivo e valorização do
trabalho artístico negro. A Quarta Preta é um projetomovimento afrocentrado, pois é
importante que nossos corpos estejam pretagonistas em todas as cadeias da produção cultural.
Não dá mais para observamos a branquitude apropriando de nossas pautas e subjetividades e
continuando nos colocando como figurantes no processo de produção cultural, como se
dependessemos deles para que nossas vozes sejam escutadas. É importante termos diferentes
projetos idealizados, produzidos e que colocam no centro da cena o/a artista negro/a/e; e suas
competências. Nossa identidade não está em voga e nem na moda, nós somos! Não dá mais
para pensar projetos que tratam de negritude sem que o corpo preto esteja no desenvolvimento
desses projetos desde sua concepção e esteja também em funções principais desse projeto
sendo valorizado, inclusive financeiramente pelo seu trabalho. Não dá mais, para realizarem
projetos que façam de conta de que estão, de fato, preocupados com nossa identidade, quando
na realidade estão pensando apenas na demanda do mercado. A Quarta Preta é um espaço de
diálogos, letramento, conscientização e de fortalecimento dos nossos e nossas”.
LITERATURA E AUDIOVISUAL
Atuando em diversas áreas, Matí Lima estreará na literatura. O artista prepara para esse ano o
lançamento do infantil “Pretume – O Menino que Amava Piolhos” e do infantojuvenil “A Pequena
Princesa Preta”, livremente inspirado no clássico “O Pequeno Príncipe”. Mas o público adulto
não ficou de fora, será lançado o livro “CESARIANA”, a partir da dramaturgia do espetáculo de
mesmo nome que foi montado em comemoração aos 20 anos de carreira do artista,
completados em 2019.
No audiovisual, numa parceria com o multiartista Gustavo Nascimento, Matí Lima está dirigindo
o novo trabalho de Gustavo Nascimento para as telas. Além disso, o artistas assumiu o roteiro e
direção de algumas clipes de músicas dos artistas da Gravadora East Side Syndicate.
ML – ORIENTAÇÃO ARTISTICA
Tanta experiência precisa ser compartilhada. Por isso, Matí Lima está lançando um projeto de
orientação artística. Através da Ml – Orientação Artística, o artista irá orientar outros artistas e
profissionais em diversas áreas, explorando todos os campos de atuação ao longo desses 24
anos de carreira.
“Venho a alguns anos orientando alguns artistas, mas nunca tinha olhado essa função enquanto
mercado de trabalho. Tem sempre alguém pedindo orientação em uma dramaturgia, em uma
cena de teatro, sobre como trabalhar para potencializar sua presença nos palcos, sobre
elaboração de projetos culturais, sobre o uso da voz e etc.
Oficializo agora minhas competências enquanto mercado de trabalho. Ofertarei esse serviço de
forma acessível financeiramente, pois quero contribuir na potencialização dos/as artistas da
periferias e negros desse Vale do Aço”.
Quem tem interesse em ser orientado por um dos artistas mais completos do Vale do Aço, basta
acessar o perfil www.instagram.com/m.l.oa/ para acessar todas as informações.
Ouça a música “Iscariotes” no link abaixo:





