Luxo em crise: a Saks pede recuperação judicial

A Saks Global, empresa controladora da loja de departamentos com 159 anos de história, que se tornou um destino e um símbolo da moda de luxo, entrou com um pedido de recuperação judicial (Chapter 11), após ficar sem dinheiro e não conseguir encontrar investidores. Com a decisão, a varejista busca reorganizar seus negócios, quitar suas dívidas e encontrar um comprador.

A medida lançou incertezas sobre o futuro da moda de luxo nos EUA, embora a varejista tenha afirmado na manhã de quarta-feira que suas lojas permaneceriam abertas por enquanto, após finalizar um pacote de financiamento de US$ 1,75 bilhão e nomear um novo diretor executivo.

O ex-CEO da rede de lojas de departamento Neiman Marcus, Geoffroy van Raemdonck, substituirá Richard Baker, arquiteto da estratégia de aquisição que sobrecarregou a Saks Global com dívidas. A empresa também nomeou as ex-executivas da Neiman Marcus, Darcy Penick e Lana Todorovich, como diretora comercial e diretora de parcerias globais de marcas da Saks Global, respectivamente.

Ricos e famosos
Uma varejista tradicional amada por ricos e famosos, de Gary Cooper a Grace Kelly, a Saks enfrentou dificuldades após a pandemia de COVID-19, com o aumento da concorrência de lojas online e o crescimento da venda de produtos pelas próprias marcas.

A loja original da Saks Fifth Avenue, conhecida por vender marcas exclusivas como Chanel, Cucinelli e Burberry e por suas decorações natalinas, foi inaugurada pelo pioneiro do varejo Andrew Saks em 1867.

Em 2024, Baker orquestrou a aquisição da Neiman Marcus pela canadense Hudson’s Bay Co., que era proprietária da Saks desde 2013. Depois disso, ele separou os ativos de luxo dos EUA para criar a Saks Global, reunindo três nomes que definiram a alta moda americana por mais de um século: além da própria Saks, o grupo tinha Neiman Marcus e Bergdorf Goodman.

O acordo de US$ 2,7 bilhões foi construído com base em cerca de US$ 2 bilhões em financiamento de dívida e contribuições de capital de investidores, incluindo Amazon (AMZN.O), Salesforce (CRM.N) e Authentic Brands, que foram listados no processo judicial como investidores de capital da Saks Global.

Falta de caixa
Até a semana passada, a Saks estava com dificuldades para conseguir US$ 1 bilhão em financiamento para um chamado empréstimo Debtor In Posession (DIP), ou devedor em posse, que fornece os fundos para manter a empresa funcionando durante o processo de recuperação judicial. Se a Saks não tivesse conseguido o empréstimo DIP, um pedido de falência (Chapter 7) se tornaria mais provável.

Diversas marcas de luxo estão entre os credores. A maior dívida é com a Chanel, de cerca de US$ 136 milhões, seguida pela Kering (PRTP.PA), proprietária da Gucci, com US$ 60 milhões, segundo o documento judicial. O maior conglomerado de luxo do mundo, LVMH (LVMH.PA), foi listado como credor sem garantia em US$ 26 milhões. No total, a Saks Global estimou que havia entre 10.001 e 25.000 credores.

Forbes Money

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