Julho das Pretas recebe mostra cênica sobre silenciamento das mulheres

Resultado da oficina de Teatro do Oprimido do Grupo de Teatro Farroupilha, a apresentação convida o público a participar da cena por meio do Teatro Fórum, transformando espectadores em “espect-atores” na construção coletiva de alternativas às situações de opressão.
O projeto Teatro Circular Vivo, realizado pelo Grupo de Teatro Farroupilha, Ponto de Cultura de Ipatinga, apresenta no próximo 18 de julho, às 14 horas, a culminância da oficina Teatro do Oprimido – Módulo Mulheres Negras.
A atividade integra a programação do Julho das Pretas, dentro da mostra Salada Mista, e será realizada no Hotel Dom Henrique, em Timóteo, com entrada gratuita.
Mais do que uma apresentação artística, o encontro propõe uma experiência de participação coletiva. Inspirado na metodologia do Teatro do Oprimido, criada pelo dramaturgo brasileiro Augusto Boal, o exercício cênico convida o público a ocupar um lugar ativo na cena, refletindo e propondo alternativas às situações de opressão vivenciadas pelas mulheres negras.
O processo criativo foi construído durante a oficina do projeto Teatro Circular Vivo, reunindo artistas, educadores, integrantes de movimentos sociais, coletivos culturais e pessoas da comunidade interessadas em pesquisar o Teatro do Oprimido como linguagem artística e ferramenta de transformação social. A dramaturgia nasceu da escuta sensível das experiências compartilhadas ao longo da formação, transformando memórias, conflitos e reflexões em uma criação coletiva.
O tema central da montagem é o silenciamento das mulheres negras, compreendido não apenas como ausência de voz, mas como consequência de processos históricos de racismo, machismo e exclusão social. Ao levar essa discussão para a cena, o Grupo de Teatro Farroupilha propõe um espaço de diálogo entre arte, direitos humanos e participação cidadã.
A criação também dialoga com o pensamento da escritora Conceição Evaristo, cuja obra valoriza a memória, a ancestralidade e as experiências das mulheres negras como territórios de resistência. Ao afirmar que “Eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer”, a autora sintetiza uma perspectiva que atravessa a construção dramatúrgica apresentada pelo grupo: a permanência, a resistência e a reconstrução coletiva das narrativas negras por meio da arte.
Na linguagem do Teatro Fórum, a cena não se encerra quando termina a atuação do elenco. Pelo contrário, ela se abre para que o público participe diretamente da construção de novos caminhos. Augusto Boal denominava esse participante de espect-ator: alguém que observa criticamente a realidade, mas também intervém, propõe soluções, substitui personagens e experimenta possibilidades de transformação. Dessa forma, o teatro deixa de representar apenas a realidade para tornar-se um espaço de ensaio para mudanças sociais.
Segundo Claudiane Dias, oficineira de Teatro do Oprimido e diretora do processo criativo, a proposta do Teatro Fórum é construir conhecimento de forma coletiva.
“O Teatro do Oprimido não oferece respostas prontas. Ele cria um espaço onde diferentes pessoas podem experimentar possibilidades, questionar estruturas de opressão e construir
coletivamente novas formas de agir. Quando o público entra em cena, ele deixa de apenas assistir ao problema e passa a refletir sobre sua própria capacidade de transformá-lo. Ao abordar o silenciamento das mulheres negras, buscamos fortalecer o diálogo, ampliar a escuta e afirmar que outras formas de convivência são possíveis quando a coletividade participa da construção das soluções.”
A oficina reuniu representantes da Roda das Pretas, Congado de Jaguaraçu, Grupo Rizoma, Grupo de Teatro Farroupilha, Frente Única Antifascista (FUA), SECI – Sindicato dos Empregados no Comércio de Ipatinga, além de artistas independentes, coletivos culturais do Vale do Aço e pessoas da comunidade interessadas em conhecer a metodologia do Teatro do Oprimido.
Realizado por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), o projeto Teatro Circular Vivo vem fortalecendo ações de formação, criação artística e democratização do acesso às artes cênicas na região. A iniciativa reafirma o compromisso do Grupo de Teatro Farroupilha com a valorização da cultura popular, da educação emancipadora e do teatro como instrumento de participação social.
Ficha técnica:
Projeto: Teatro Circular Vivo.
Realização: Grupo de Teatro Farroupilha – Ponto de Cultura.
Termo de Fomento: nº 408/2025.
Fomento: Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).
Equipe do Teatro Circular Vivo: Oficineira de Teatro do Oprimido e direção: Claudiane Dias. Coordenação de espaço: Francis Leine Silvestre. Coordenação financeira: Jeferson Ornelas Costa. Acessibilidade: Fran Silvestre e Vânia Dias (Libras). Design gráfico: Leander Dugueto. Sonoplastia: Joaquim Dias. Social media: Teuller Morais e Joaquim Dias.
Elenco – Criação coletiva: Antônio Ademir, Bruna Ribeiro, Edna Imaculada, Elizabeth Oliveira, Fátima Inácio, Fran Silvestre, Jailton Laurindo, Maura Gerbi, Roberto Yokel e Rosalva Campos. Coletivos e organizações participantes: Grupo de Teatro Farroupilha, Roda das Pretas, Congado de Jaguaraçu, Grupo Rizoma, Frente Única Antifascista (FUA), SECI – Sindicato dos Empregados no Comércio de Ipatinga, além de artistas independentes, coletivos culturais do Vale do Aço e integrantes da comunidade.
Serviço:
Apresentação: Teatro Circular Vivo – Teatro do Oprimido | Módulo Mulheres Negras
Programação: Mostra Salada Mista – Julho das Pretas
Data: 18 de julho
Horário: 14 horas
Local: Hotel Dom Henrique, Rua Quinze de Novembro, 510, Centro, Timóteo (MG)
Entrada: Gratuita
Informações: Instagram @grupofarroupilha_

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