Gripe em alta no país acende alerta para prevenção e vacinação

O aumento da circulação do vírus da gripe em diversas regiões do Brasil tem acendido um alerta entre especialistas e autoridades de saúde. Dados recentes mostram que os vírus respiratórios voltaram a ganhar força no país, especialmente com a chegada do outono, período em que historicamente se observa maior número de casos de síndromes gripais. Diante desse cenário, médicos reforçam a importância da vacinação e de cuidados simples no dia a dia para evitar a disseminação da doença e reduzir o risco de complicações.

De acordo com levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado no boletim InfoGripe, há aumento da circulação do vírus Influenza A em várias regiões do país, contribuindo para o crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Os dados mostram que diferentes vírus respiratórios têm contribuído para os casos de SRAG registrados em 2026. Entre eles, o rinovírus aparece como o mais frequente, responsável por 41,9% das infecções confirmadas. Na sequência aparecem a influenza A (21,8%), o SARS-CoV-2, causador da covid-19 (14,7%), e o vírus sincicial respiratório (13,4%). Já entre os óbitos relacionados a essas doenças respiratórias, a covid-19 responde por 37,3%, seguida pela influenza A, com 28,6%.

Segundo o infectologista do Hospital Márcio Cunha (HMC), Dr. Márcio de Castro, é importante compreender que a gripe faz parte de um conjunto de doenças respiratórias conhecidas como síndromes gripais, que podem ser causadas por diversos vírus e circular durante todo o ano. “O que chamamos popularmente de gripe faz parte de um grupo de infecções respiratórias provocadas por vários vírus. Alguns predominam no verão, outros no inverno. A influenza tem um comportamento mais sazonal, aumentando principalmente no outono e no inverno, mas outros vírus respiratórios continuam circulando ao longo de todo o ano”, explica o médico.

Ele ressalta, ainda, que o cenário atual também é influenciado por fatores demográficos e epidemiológicos. “Hoje temos mais pessoas idosas e mais pacientes com doenças crônicas, como problemas cardíacos, respiratórios ou que afetam a imunidade. Esse grupo tem maior suscetibilidade a complicações das síndromes gripais”, afirma.

De acordo com o infectologista do Hospital Márcio Cunha, entre as possíveis complicações estão quadros de pneumonia, agravamento de doenças já existentes e até eventos cardiovasculares. Segundo o infectologista, episódios de gripe podem desencadear descompensações em pacientes com doenças cardíacas ou respiratórias, além de aumentar o risco de hospitalização.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que a vacinação continua sendo a principal forma de proteção. A campanha nacional contra a gripe começou no país no fim de março e tem como objetivo ampliar a cobertura vacinal antes do período de maior circulação do vírus. “A principal mensagem é clara: vacinem-se. A vacina é segura, eficaz e protege contra formas graves da doença. Além disso, ajuda a reduzir internações e mortes”, reforça o médico.

Outro ponto destacado por ele é o papel da responsabilidade coletiva no controle das doenças respiratórias. “Medidas simples, como o uso de máscara em caso de sintomas gripais, ventilação adequada dos ambientes e cuidados com a saúde geral, podem fazer grande diferença na prevenção. Qualquer pessoa com sintomas respiratórios deveria usar máscara quando precisar sair ou estiver em ambientes compartilhados. Essa é uma lição importante que a pandemia nos deixou. A máscara protege não apenas quem usa, mas também quem está ao redor”, destaca Dr. Márcio de Castro.

Além da vacinação e do uso de máscara quando necessário, o infectologista orienta manter hábitos saudáveis, como boa alimentação, hidratação adequada, prática de atividade física e preferência por ambientes ventilados. “Uma alimentação rica em frutas e vegetais, boa hidratação e atividade física regular ajudam muito na manutenção da saúde. As vitaminas mais importantes vêm dos alimentos naturais, especialmente das frutas e verduras frescas. Quero lembrar que vitaminas também são medicamentos e o uso excessivo pode trazer riscos. O ideal é buscar uma alimentação equilibrada em vez de recorrer ao consumo indiscriminado de suplementos”, conclui.

Em um cenário de maior circulação de vírus respiratórios, a combinação entre vacinação, prevenção e consciência coletiva torna-se essencial para reduzir a transmissão e proteger especialmente os grupos mais vulneráveis, como idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas.

Hospital Márcio Cunha

Hospital geral de alta complexidade com 60 anos de atuação. Possui 558 leitos e três unidades, sendo uma unidade exclusiva para o tratamento oncológico. Atende a uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e conta com cerca de 500 médicos em 58 especialidades, com prestação de serviços nas áreas de ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular, oncologia adulto e infantil, entre outros. No último ano, foram cerca de 5.580 partos realizados no HMC, cerca de 35 mil internações, mais de 17 mil cirurgias, mais de 67 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.

O HMC foi o primeiro hospital do país a ser acreditado em nível de excelência (ONA III), pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, está classificado pela revista norte-americana Newsweek, por sete anos consecutivos, entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, sendo o 6º em Minas Gerais.

 

 

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