Especialista do Hospital Márcio Cunha alerta para a importância de romper estigmas e incentivar os homens a cuidarem da saúde emocional
Celebrado em 15 de julho, o Dia do Homem é uma oportunidade para ampliar a discussão sobre os cuidados com a saúde masculina. Muito além da prevenção de doenças físicas, a data também chama a atenção para um tema que ainda enfrenta barreiras culturais: a saúde mental. Apesar dos avanços nas informações sobre depressão, ansiedade e outros transtornos, muitos homens continuam resistindo em reconhecerem o sofrimento emocional e a procurarem ajuda especializada.

Segundo o médico psiquiatra do Hospital Márcio Cunha (HMC), Dr. Felipe Timo, essa resistência está diretamente ligada ao modelo de masculinidade construído ao longo da história, no qual o homem é visto como alguém que deve ser forte, resiliente e capaz de suportar qualquer dificuldade sem demonstrar fragilidade. “Durante muito tempo, os transtornos mentais eram cercados por preconceitos. Buscar um psiquiatra era visto como algo destinado apenas a pessoas consideradas ‘loucas’. Hoje, graças ao avanço da ciência e ao maior acesso à informação, existe muito mais conhecimento sobre saúde mental. Mesmo assim, muitos homens ainda acreditam que admitir sofrimento emocional significa demonstrar fraqueza, quando, na verdade, acontece exatamente o contrário”, explica o especialista.
Esse comportamento faz com que sintomas iniciais de transtornos como ansiedade e depressão sejam ignorados por meses ou até anos. Em muitos casos, o atendimento acontece apenas quando o quadro já compromete significativamente a vida pessoal, profissional e familiar.
Quebrar o silêncio salva vidas
De acordo com o psiquiatra, a ansiedade, a depressão e os transtornos relacionados ao uso de substâncias estão entre os diagnósticos mais frequentes entre os homens. Muitas vezes, o abuso de álcool, cigarro e outras drogas surge como uma tentativa de aliviar um sofrimento emocional que nunca foi tratado. “Muitos homens não conseguem identificar aquilo que estão sentindo e acabam buscando uma forma de anestesiar o sofrimento. O aumento do consumo de bebidas alcoólicas, cigarro ou outras substâncias pode ser um indicativo importante de que existe um transtorno mental por trás desse comportamento”, afirma.
Além do uso de substâncias, mudanças no comportamento também merecem atenção. Irritabilidade frequente, isolamento social, alterações no sono, perda de interesse pelas atividades, insegurança, tristeza persistente e mudanças no apetite podem indicar que algo não vai bem.
O médico destaca que familiares, amigos e colegas desempenham um papel fundamental na identificação desses sinais. Para ele, acolher, ouvir e evitar julgamentos são atitudes que podem fazer toda a diferença para quem enfrenta um momento de sofrimento. “Precisamos aprender a ouvir sem minimizar a dor do outro. Frases como ‘isso é falta de força’, ‘você precisa reagir’ ou ‘isso é falta de fé’ acabam afastando, ainda mais, quem precisa de ajuda. O primeiro passo é observar as mudanças de comportamento, oferecer escuta e mostrar que essa pessoa não está sozinha”, orienta.
Embora hábitos saudáveis, como atividade física, alimentação equilibrada, sono de qualidade e momentos de lazer contribuam para o bem-estar emocional, o especialista reforça que eles não substituem o tratamento quando existe um transtorno mental instalado. “Os transtornos psiquiátricos possuem influência biológica e genética. Uma pessoa com depressão, por exemplo, muitas vezes não consegue realizar tarefas simples do dia a dia. Isso não é falta de vontade ou de caráter, faz parte da doença. Com o tratamento adequado, ela recupera gradativamente a disposição e consegue retomar hábitos saudáveis”, explica.
Nos últimos anos, a procura por atendimento especializado entre os homens tem aumentado, mas ainda há um longo caminho para vencer os estigmas relacionados à saúde mental. Para Dr. Felipe Timo, reconhecer que precisa de ajuda é uma demonstração de coragem e não de fraqueza. “Buscar ajuda não é frescura. É um ato de inteligência, coragem e autocuidado. Se você percebe que não está bem, que perdeu o prazer nas coisas, sente uma tristeza persistente, ansiedade intensa ou mudanças importantes no comportamento, converse com alguém de confiança e procure ajuda profissional. Hoje sabemos que os transtornos mentais têm tratamento e ninguém precisa enfrentar esse sofrimento sozinho”, conclui.
Hospital Márcio Cunha
Hospital geral de alta complexidade com mais de 60 anos de atuação. Possui 558 leitos e três unidades, sendo uma unidade exclusiva para o tratamento oncológico. Atende a uma população de mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e conta com cerca de 500 médicos em 58 especialidades, com prestação de serviços nas áreas de ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular, oncologia adulto e infantil, entre outros. No último ano, foram cerca de 5.580 partos realizados no HMC, cerca de 35 mil internações, mais de 17 mil cirurgias, mais de 67 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.
O HMC foi o primeiro hospital do país a ser acreditado em nível de excelência (ONA III), pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). Além disso, está classificado pela revista norte-americana Newsweek, por sete anos consecutivos, entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, sendo o 6º em Minas Gerais.





