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CIRURGIA INÉDITA NO HMC

A aposentada Vera Lúcia Castro Romanhol, 71 anos, passou mais de dez anos sofrendo com dores nas costas sem ter o diagnóstico correto. Foi somente em 2021, depois de um check-up, que ela descobriu que as terríveis dores que tinha não eram problema de coluna e sim uma doença conhecida como dissecção de aorta.

A dissecção de aorta é um tipo de doença cardiovascular, responsável por mais de 6,5 mil mortes por ano no Brasil. Ela se desenvolve de forma silenciosa e, na maioria dos casos, é descoberta em estágios avançados. A enfermidade é considerada uma emergência médica caracterizada por uma lesão na parede interna da artéria aorta, que se inicia no coração e termina na quarta vértebra lombar, sendo uma das mais importantes artérias do corpo humano, pois leva oxigênio para todo o organismo. Entre os principais fatores de risco estão tabagismo, hipertensão, diabetes, pré-disposição genética e uso de anti-inflamatório crônico.

Tabagista por mais de 30 anos e hipertensa, Vera Lúcia conta que, mesmo diante do diagnóstico preocupante, ela se manteve forte. “Os médicos chegaram a me informar da complexidade do meu caso e da alta mortalidade da doença, caso não fizesse a cirurgia. Então segui em frente. Sempre fui uma mulher de coragem e não me entrego fácil. Decidi pela cirurgia porque ainda quero viver muito e os médicos me passaram muita segurança”, conta.

Procedimento de sucesso

A enfermidade da aposentada já tinha avançado, promovido a dilatação da aorta torácica e abdominal, e resultado em um complexo aneurisma, envolvendo os vasos viscerais. A saída encontrada pela equipe do Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, administrado pela Fundação São Francisco Xavier, foi realizar uma cirurgia de correção endovascular de aneurisma de aorta toracoabdominal.

A cirurgia durou três horas e contou com uma equipe multidisciplinar: quatro cirurgiões, um anestesista, um instrumentador e dois enfermeiros.

“Essa foi a primeira vez que o procedimento foi realizado para essa patologia no Vale do Aço. Fizemos uma cirurgia minimamente invasiva, com uma perfuração mínima. Implantamos uma endoprótese ramificada, uma espécie de stent, que cobre toda a aorta torácica e exclui a parte doente, protegendo os vasos viscerais. Foi um sucesso”, relata o cirurgião cardiovascular Leonardo de Oliveira Sousa.

Depois de sete dias internada, a aposentada se recupera bem em casa. “Estou sem dores, consigo fazer tudo sozinha. Não há nada melhor do que voltar para o lar e ficar ao lado do meu marido, filhos, netos e amigos. Todos torceram por mim. Agradeço a Deus, a todos os amigos, parentes e aos médicos que me proporcionaram essa felicidade”, celebra.

 

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