Entre os desafios, Rodrigo Villela destaca o combate à concorrência desleal, o Custo Brasil e o aumento do consumo interno de aço
A superação dos desafios da produção do aço no Brasil passa por enfrentar a concorrência desleal do aço importado e pela redução do Custo Brasil. A análise é do CEO da Aperam South America, Rodrigo Villela, e foi apresentada a jornalistas do Vale do Aço na sexta-feira, 30 de outubro.
A maior parte do produto estrangeiro que chega ao Brasil vem da China, onde recebe incentivos e medidas de proteção para a sua produção, o que gera uma concorrência desleal, sustentou o CEO.
De acordo com o executivo, essa concorrência desleal tem elevado as importações de aço a um patamar demasiadamente alto. “Para 2026, a projeção é que sejam importadas 4,9 milhões de toneladas de aço laminado. Isso é mais do que o dobro da média registrada entre 2000 e 2019”, explicou.
Os elevados volumes de importação são observados em diferentes segmentos do setor siderúrgico, como aços carbono, inoxidáveis e especiais. “No caso dos aços elétricos, por exemplo, o avanço das importações, tanto do material quanto de produtos acabados, tem feito com que a indústria nacional opere abaixo de sua capacidade instalada, tornando essa situação cada vez mais insustentável”, exemplificou Villela.
No segmento de aço inoxidável, produto no qual a Aperam possui reconhecida expertise, o Brasil importa cerca de 100 mil toneladas por ano, volume que corresponde a aproximadamente 25% do mercado nacional.
O cenário fica mais complexo pelo enorme potencial de crescimento que existe no mercado interno. Atualmente, o consumo per capita do aço inoxidável no país é de apenas 2 kg por habitante, patamar distante do México (3,8 kg), da África do Sul (4,1 kg) e dos Estados Unidos (7,1 kg). “Temos a possibilidade de transformar a demanda doméstica por aço, em especial o inox, em projetos, em inovação e valor industrial. Tudo isso gerado dentro do Brasil”, defendeu.
Para permitir que a indústria local converta essa demanda interna em inovação e empregos no Brasil, Villela reforçou a necessidade de combater a concorrência desleal, superar os entraves estruturais e reduzir o Custo Brasil. Entre os gargalos apontados estão os preços do gás natural, as deficiências de infraestrutura e a necessidade de previsibilidade e ressarcimento ágil de créditos no âmbito da Reforma Tributária.
“A indústria siderúrgica nacional exige condições iguais de concorrência. A indústria brasileira não fica atrás de nenhuma outra em termos de eficiência. Temos tecnologia, mão de obra qualificada e capacidade para crescer, mas precisamos superar os gargalos estruturais e o Custo Brasil, como o preço do gás natural, a complexidade tributária e as deficiências de infraestrutura”, afirmou.
Pioneirismo em Aço Verde e Economia Circular
Durante o encontro, Rodrigo Villela também destacou a capacidade de produção anual da Aperam, que é de 900 mil toneladas de aço bruto distribuídas entre aços inoxidáveis, elétricos e de carbono especial.
O executivo pontuou que o principal diferencial da empresa no cenário global é a sua rota produtiva de baixa pegada de carbono. “A usina de Timóteo (MG) opera integrada à Aperam BioEnergia, que fornece carvão vegetal renovável cultivado no Vale do Jequitinhonha, evitando a emissão anual de cerca de 250 mil toneladas de CO₂”, explicou.
Essa matriz sustentável permitiu que a Aperam fosse a primeira empresa do mundo no segmento de aços planos especiais a alcançar o balanço de carbono neutro no escopo 1 e 2, contando ainda com a certificação internacional ResponsibleSteel renovada até 2029. Em economia circular, o destaque é o Projeto Ecofinos, que substitui insumos virgens na aciaria por finos de minério de ferro reaproveitados. Entre 2022 e 2025, a iniciativa evitou o descarte de 18,6 mil toneladas de minério e reduziu as emissões acumuladas em 1,9 mil toneladas de CO₂, conquistando o Selo Aliança pela Produção Sustentável concedido pela FIEMG.
“A Aperam se destaca globalmente por utilizar carvão vegetal de florestas renováveis em seus altos-fornos, operando com balanço de carbono neutro e certificação ResponsibleSteel”, destacou Villela.
DESTAQUES OPERACIONAIS DA APERAM SOUTH AMERICA
Fundação Aperam Acesita: Criando e Compartilhando Valor
Durante o encontro, Rodrigo Villela também destacou a importância da atuação da Fundação Aperam Acesita, que aplicou um total de R$ 6,8 milhões em investimentos ao longo de 2025, direcionados ao desenvolvimento social e comunitário. A atuação da entidade concentrou-se em duas regiões estratégicas de Minas Gerais — o Vale do Aço, englobando 5 municípios, e o Vale do Jequitinhonha, cobrindo 6 municípios —, gerando impacto direto sobre mais de 157 mil pessoas.
“Esse volume de beneficiados corresponde a 28% da população total residente nas áreas de abrangência operacional da Aperam, consolidando a relevância regional e o alcance social das iniciativas promovidas pela instituição”, sustentou.
Sobre a Aperam South America
A Aperam South America é a única produtora integrada de aços inoxidáveis e elétricos planos da América Latina, atenta às demandas do mercado global, com fornecimento para mais de 40 países. Com usina industrial localizada em Timóteo (MG) e operações de silvicultura renovável no Vale do Jequitinhonha (Aperam BioEnergia), a empresa conta com quase 5 mil colaboradores no Brasil. Unindo alta tecnologia, eficiência energética e responsabilidade socioambiental, apoiada por iniciativas comunitárias da Fundação Aperam Acesita, a companhia é pioneira na produção do Aço Verde Aperam® e detém a certificação internacional ResponsibleSteel.
Na foto de capa deste post, eu entre o chef Quirino, reponsável pelo almoço oferecido pela Aperam para a imprensa do Vale do Aço, e o presidente da empresa, Rodrigo Villela, simpatia em dose dupla.

Da comunicação Aperam, Caê Batista, a gerente Moysa Ribeiro e Roberto Solha

O presidente Rodrigo Villela fez uma apresentação impecável do cenário atual em que se encontra a Aperam





