Campanha da Guess preocupa o mercado da moda

Olhe bem para a foto de capa deste post. Uma moça linda, perfeita em medidas, cabelo, pele… uma beleza! Só tem um detalhe: ela não existe. Foi “inventada” por uma empresa de tecnologia, encomendada pela marca de roupas Guess.

A preocupação do mercado é que um anúncio como esse, feito em escala, tire empregos de centenas de profissionais, além de afetar diretamente a identidade e personalidade das marcas. “Durante sua trajetória, as marcas de moda se beneficiaram e valorizaram o talento artístico de fotógrafos, modelos, diretores de arte e cenógrafos para agregar valor aos produtos. Eram parcerias que, por muitas vezes, duravam por toda uma vida: Steven Meisel e Versace; Elsa Schiaparelli e Man Ray; Kate Moss e Calvin Klein. No entanto, hoje o mercado mudou, e muitas das escolhas são feitas apenas por meio de planilhas de custo e expectativa de likes nas redes”, contextualiza Olivia Merquior, CEO na IARA, gestora de projetos de tecnologia e inovação para moda, beleza e cultura.

“A IA veio para facilitar, mas ninguém quer ser substituído, existem maneiras onde a tecnologia é muito eficiente. Na organização, produção e gerenciamento de um shooting, mas em relação ao criativo, nada substitui o momento da foto em que você tem uma sinergia entre pessoas e acaba colhendo resultados que saem exatamente dessa interação”

“Um ponto problemático é a homogeneização da estética dessas campanhas, pois percebe-se que a GenAI, em geral, segue certos vieses em sua criação. Assim, o tipo de linguagem pode determinar a qualidade de uma campanha e se ela incorpora questões éticas de diversidade e representatividade. Também é importante ressaltar que, se na era do Photoshop as imagens retocadas já geravam inseguranças e expectativas irreais no consumidor final, com o surgimento de campanhas feitas com IA tais questões se agravam, afinal, não se trata mais de uma ‘pele perfeita retocada com Photoshop’, mas de uma pele de natureza não humana, sintetizada com perfeição”, diz Gigi Casimiro, cofundadora do WeAR Experience e professora do Institute Français De La Mode.

Fonte: Leia mais em: https://forbes.com.br/forbes-tech/2025/08/modelos-feitos-por-ia-chegam-as-grandes-marcas-e-comecam-a-preocupar-o-mundo-da-moda/

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