Dra Lara Marçal (7)

A INTERVENÇÃO DA ENDOCRINOLOGIA PEDIÁTRICA NA BAIXA ESTATURA INFANTIL

Crianças que possuem uma altura abaixo do valor esperado para a sua idade e sexo podem ser diagnosticadas com baixa estatura. A condição, muitas vezes atrelada a genética, pode ser tratada com o auxílio do endocrinologista pediátrico. A médica cooperada e especialista no assunto, Dra. Lara Vieira Marçal, esclareceu questões e destacou que a maioria das crianças de estatura baixa é absolutamente saudável.
“Classificamos a baixa estatura de três formas: 1) se a criança está abaixo do mínimo na curva para idade e sexo, E/OU 2) se a criança tem uma velocidade de crescimento baixa, ou seja, se ela está abaixo do que a gente espera que ela cresça em centímetros por ano E/OU 3) se ela está abaixo do padrão familiar. Então, por exemplo, se o paciente é filho de uma top model com um jogador de basquete que são bem altos, e a criança está na média para a população geral, quer dizer que ela está baixa para o padrão familiar dela, isso porque seus pais são muito altos. Ou seja, ela está na média da população normal, mas abaixo do padrão familiar. Isso também é estar baixo. Resumindo, classificamos a baixa estatura dessas três formas: OU é a velocidade de crescimento baixa em centímetros, E/OU se está abaixo do padrão familiar E/OU se está abaixo do padrão populacional”, esclareceu.
A endocrinologista pediátrica também falou sobre a influência do fator genético na estatura da criança. “Se os pais são altos, a tendência é os filhos serem mais altos, e se os pais são baixos, a tendência é que os filhos sejam mais baixos. Porém, nem sempre ter família baixa quer dizer que a criança está fadada a ser baixa para sempre: há casos em que os pais daquela criança são baixos em decorrência de alguma doença crônica ou de alguma intercorrência na infância, ou tiveram desnutrição por exemplo, o que talvez tenha atrapalhado o crescimento deles, e nesses casos não podemos tomar como referência para a expectativa de crescimento dos filhos. Ainda há casos em que existe uma doença genética, que é herdada, e que interfere no crescimento, mas que é tratável com hormônio de crescimento, por exemplo. Então não é uma regra inexorável que se você for baixo seus filhos também serão. Apesar dos fatores genéticos serem importantes, existem alguns fatores que são modificáveis por meio de intervenções”, acrescentou.
Diagnóstico
Desenvolvida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a curva de crescimento infantil é um padrão internacional para acompanhar o crescimento e o estado nutricional das crianças. As curvas são obtidas a partir do cálculo entre a idade da criança e variáveis como o peso, a altura e o perímetro da cabeça. A mais importante variável é o sexo da criança, uma vez que meninos e meninas têm padrões diferentes de crescimento, portanto as curvas são distintas. O objetivo de usar as curvas é que problemas como desnutrição, sobrepeso, obesidade e outras condições associadas ao crescimento e à nutrição da criança possam ser detectados e encaminhados precocemente.
“A análise da curva de crescimento é essencial dentro da avaliação clínica e do diagnóstico. Quando temos uma criança com baixa estatura, precisamos ver o quanto ela está desenvolvendo, com que velocidade ela está crescendo, ou seja, quantos centímetros por ano ela está ganhando, e isso está ligado a faixa etária. Os pequenininhos, bebezinhos, crescem muitos centímetros por ano. As crianças de três a dez anos já tem outra velocidade de crescimento e já na puberdade há nova aceleração do crescimento, com o estirão de desenvolvimento”, explicou.
Segundo a Dra. Lara Marçal, há alguns exames fundamentais. “Para o diagnóstico preciso fazemos alguns exames, como a análise da idade óssea, o raio-X da mão e punho esquerdo para avaliarmos o grau de maturação do esqueleto, e há também alguns exames de sangue e dosagens hormonais. É necessário investigar se existe deficiência de hormônio de crescimento, se há anemia, ou algum problema da tireoide, e até mesmo se há doença celíaca, que é a intolerância ao glúten. É feita essa análise para verificar a saúde no geral e entender o que está impedindo o crescimento da criança. Em alguns casos, exames bem específicos, que são típicos da endocrinologia pediátrica, são exigidos para que seja feita investigação de algumas deficiências hormonais”, pontuou.
Para a médica cooperada, é fundamental que os pais, ao perceberem alguns sinais, procurem o endocrinologista pediátrico. “Precisamos sempre lembrar que toda criança precisa de acompanhamento pediátrico regular. É a partir dele que são jogadas na curva de crescimento as medidas da criança e feita a análise se ela está abaixo ou não do que esperado para o sexo e idade. Naqueles casos em que a criança é menor que os demais colegas da mesma idade também é necessário uma investigação por parte do médico, assim como qualquer outro sinal fora da normalidade”, afirmou.
Tratamento
O avanço da ciência e da medicina tem permitido que diversas doenças e condições sejam tratadas ainda na infância, como é o caso da baixa estatura. A endocrinologista pediátrica esclareceu que o método aplicado em cada criança vai depender do diagnóstico e da análise médica.
“O tratamento está diretamente ligado a causa da baixa estatura: se é um hipotireoidismo, uma anemia ou uma parasitose, devemos tratar essas doenças. Por outro lado, se há alguma doença renal, ou se existe alguma cardiopatia, precisamos sempre fazer uma investigação a respeito para determinar qual tipo de intervenção. E há também a deficiência do hormônio de crescimento, que no caso implica na utilização do GH”, explicou.

A médica ainda fez um alerta em relação a baixa estatura idiopática. “É feita uma avaliação hormonal e uma investigação de doenças relacionadas, e quando não achamos nada, classificamos como baixa estatura idiopática. Nesses casos está indicado o uso do hormônio de crescimento pela literatura médica. E há outras condições, como quando a criança é diagnosticada com Síndrome de Turner ou doença de Crohn ou doença renal crônica, que são casos específicos em que é indicado o uso do hormônio do crescimento, sempre mediante a avaliação médica”, concluiu.

 

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