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TÁ EM ALTA: MICÉLIO, A NOVA ALTERNATIVA AO COURO ANIMAL

O micélio se refere a um conjunto de filamentos, ou melhor, hifas emaranhadas de um determinado fungo. Esses filamentos possuem uma versatilidade tão grande que outros cientistas vêm aprofundando seus conhecimentos para diminuir, por exemplo, quantidade de plástico lançado na atmosfera.As hifas são os filamentos (pequenos fios) de comprimento longo e que apresenta ramificações. O micélio, por sua vez, se formam quando as hifas se juntam”. E este pode ser do tipo vegetativo, aéreo e reprodutivo.

O couro de micélio é uma alternativa mais sustentável para o mundo da moda, feito com a parte vegetativa do fungo de cogumelos, esse material é uma possibilidade para substituir o couro bovino e o couro de plástico sintético.

A indústria da moda é uma das mais poluentes do mundo: emite 10% do carbono global, mais do que todos os voos e transportes marítimos combinados. Ainda, segundo a BBC essa indústria só fica atrás do setor petroleiro.
Para ter uma ideia, o couro de micélio oferece uma grande economia de água.

De acordo com o Harper’s Bazaar, esse material feito pela Universidade de Viena, Imperial College London e RMIT, utiliza 40 litros de água, em comparação com o couro de origem animal que usa 500 litros desse elemento essencial à vida terrestre.

Além disso, emite menos carbono, como constatou um relatório do Higg Materials Sustainability Index, que apontou que o couro bovino traz mais impactos do que todos os outros tecidos, por conta do desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa.

Algumas marcas já levaram em conta essas questões ambientais e estão lançando produtos com couro alternativo: a Nike fez um tênis com couro de fibra de abacaxi, a Adidas fez o calçado Stan Smith com couro de micélio, e a Gucci lançou sapatos de luxo com couro feito de vegetais, entre outros.

Aqui vale um adendo: um relatório do Statista, chamado Luxury Leather Goods Report, colheu dados da receita de artigos de luxo de 2019 e chegou a conclusão de que o couro de origem animal corresponde a 15% do mercado de luxo.

Recentemente, estamos vendo mais marcas de luxo aderirem a um posicionamento mais sustentável e consciente a respeito dos animais. Em setembro do ano passado falamos do Grupo Kering — composto pelas empresas Gucci, Saint Laurent, Bottega Veneta, Balenciaga, entre outras — que afirmou que a partir da coleção de outono de 2022 não utilizará mais peles de animais em suas coleções.

Matt Scullin, CEO da MycoWorks (empresa que fabrica couro de micélio), falou ao The Guardian: “Estamos trabalhando primeiro com moda de luxo porque eles estão à frente da curva quando se trata de sustentabilidade. Estas são marcas que estão em posição de pensar grande e pensar a longo prazo”.

Mesmo assim, a empresa também afirmou que a parceria com as marcas do mercado de “massa” também está em seus planos. Portanto, é provável que poderemos ver em breve mais materiais sustentáveis, entre eles o couro de micélio, em mais peças e roupas.

No Brasil, a marca Shop Francesca, comandada por Francesca Monfrinatti e Leandro Benites, está prestes a lançar peças em couro feito do fungo. Por enquanto, só ela.

FONTE: https://agro20.com.br/
https://globorural.globo.com/
https://veganbusiness.com.br/

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