VELHA, EU? COM MUITO PRAZER!

De uma hora para outra, a mídia redescobriu mulheres incríveis que há tempos já não estampavam capas de revista. A atriz Helen Mirren, de 72 anos, virou assunto mundial em setembro passado ao aparecer na publicação americana Allure. Na entrevista, ela fala sobre autenticidade, carreira, sexo, moda, beleza e, claro, envelhecer. “Se as pessoas me tratarem de acordo com a idade que tenho, me sinto muito ofendida. Odeio quando abrem mão de sua cadeira para mim. Eu não quero a sua cadeira”, brinca uma das raras mulheres a ganhar três das premiações artísticas mais importantes do mundo – o Oscar, o Emmy e o Tony.

Helen faz parte de uma geração que chegou em plenaforma aos 60 anos: pense na primeira-dama francesa Brigitte Macron, em Rita Lee, em Costanza Pascolato…E comprove mais uma vez o que estamos falando com as musas escolhidas para ilustrar estas páginas. Todas bem resolvidas, bem-sucedidas e com muita opinião. E o melhor: sem medo de arriscar. Teresa Fittipaldi, por exemplo, estreou como modelo no desfile de Gloria Coelho durante o São Paulo Fashion Week no fim de agosto passado. Foi tamanha a desenvoltura que arrancou aplausos em cena aberta. A que se deve tamanho sucesso? “Aos meus genes”, diz ela, emendando em uma deliciosa gargalhada. Outra que brilhou nas passarelas da última temporada de moda nacional foi Suzana Kertzer, que com seu jeito cool de ser desfilou para a UMA. “Participar de dois desfiles da marca foi uma das supresas que a vida me trouxe. Apesar de ter sido modelo de fotos, nunca tinha estado em uma passarela antes e a experiência foi enriquecedora”,conta. Também em fase de experimentar o novo, Josine von Bismarck deixou de lado sua porção executiva e passou a se dedicar à astrologia. “O assunto me interessa há tempos, mas pretendo me aperfeiçoar para que deixe de ser apenas hobby”, planeja.

Só para dar uma ideia da vontade de se comunicar desta geração que não desperdiça o tempo, o Airbnb, site de aluguel de imóveis por temporada em mais de 65 mil cidades do mundo, divulgou que o grupo que mais cresceu no interesse de locação foi o de mulheres acima de 60 anos. Além da autoconfiança e da experiência, a idade traz também felicidade, como já apontam diversos estudos.

É nisso que acredita a antropóloga Mirian Goldenberg, autora dos livros Velho É Lindo! (Civilização Brasileira, 2016) e A Bela Velhice (Record, 2013). Há quase 20 anos pesquisando os “coroas”, como gosta de chamar, ela nota uma grande mudança no início deste século: “Começamos a ter modelos positivos de envelhecimento, como Susan Sarandon, que usa decotes e namora caras mais jovens, e Fernanda Montenegro, que, com 88 anos, continua trabalhando. Essas mulheres são exemplos que a gente não tinha. No século passado, uma mulher de 50 era invisível, hoje é o contrário”.

Mas também é verdade que em uma sociedade como a brasileira, que sempre valorizou a juventude, envelhecer não é lá um processo tão tranquilo. “Ser velha no Brasil não é a mesma coisa que na Alemanha. Aqui, a cosmetologia serviu para que a gente retardasse o envelhecimento, e não para que o aceitasse. E por mais plástica e academia que você faça, a gravidade pesa”, diz a psicóloga Joana Novaes, coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza da PUC-Rio.

Sobre a dúvida cruel em torno dos procedimentos estéticos (e seus excessos), a resposta cabe a cada uma, o importante é que ela venha acompanhada de boas doses de autoestima. “Precisamos aceitar a passagem do tempo. Aos 60 anos, a gente não quer o mesmo que queria aos 40. Não é só o corpo que muda, o tempo opera nas emoções. Negar a idade é desespero, mas deixar-se envelhecer é uma libertação”, defende Joana.

Fonte: www.msn.com