ROMEL ERWIN DE SOUZA cópia1

USIMINAS: A NOTÍCIA CHEGOU

Houve um burburinho intenso acerca de uma notícia da Usiminas, que chegaria no final de outubro. Pois a notícia chegou e, apesar de focar mais na usina de Cubatão, espera-se respingos na usina da siderúrgica em Ipatinga. Vamos ao release oficial, expedido nesta tarde:

A Usiminas vai fazer um ajuste de sua configuração industrial e capacidade produtiva. O objetivo é fortalecer a capacidade competitiva da Companhia diante do contexto de progressiva deterioração do mercado siderúrgico. Para isso, a Usiminas iniciará imediatamente um processo de desativação temporária das áreas primárias da Usina de Cubatão: sinterizações, coquerias, altos-fornos (um dos quais já tinha suas atividades paralisadas desde maio de 2015), aciaria e de atividades associadas a estas áreas. A estimativa é que este processo seja concluído entre três e quatro meses. Desta forma, as operações da Usina de Cubatão se concentrarão nas áreas de laminação (tiras a frio e tiras a quente) e terminal portuário. A Usiminas está avaliando alternativas de como suprirá estas linhas com placas para serem laminadas.

A decisão de desativar temporariamente parte da Usina de Cubatão se baseia em contexto de muitos desafios. Em nível mundial, o excesso de capacidade produtiva de aço já é da ordem de 700 milhões de t e os patamares de preço encontram-se depreciados, sem perspectivas de recuperação consistente. Já no plano doméstico, números preliminares do Instituto Aço Brasil indicam queda no consumo aparente de aços planos de 14% neste ano em relação a 2014 e de 22% em relação a 2013, refletindo a atual crise econômica e a perda de participação da indústria de transformação no PIB brasileiro. Com isso, a siderurgia brasileira tem operado com um nível de capacidade instalada da ordem de menos de 70%.  Somam-se os elevados custos de produção e a falta de isonomia competitiva frente à concorrência desleal do aço importado, notadamente da China.

Segundo o presidente da Usiminas, Rômel Erwin de Souza (na foto de capa desta matéria), estes fatores têm influenciado os resultados da empresa, o que exigiu a reconfiguração de suas operações. “O cenário mundial e doméstico para a siderurgia foi determinante para reposicionarmos a Usiminas em um patamar de escala mais viável à sua competitividade no curto e médio prazos”, afirma.

A Usina de Cubatão já havia tido um de seus dois altos-fornos desligados em maio deste ano, bem como seu laminador de chapas grossas em setembro. No entanto, os estudos da Usiminas apontaram que a alternativa mais viável, no atual cenário, era a paralisação das áreas primárias da unidade.

 A Usiminas tem consciência do impacto social desta medida sobre a empregabilidade na região da Baixada Santista. Porém, ressalta que diante dos últimos resultados financeiros (vide abaixo), a desativação foi necessária para a própria sustentabilidade da Usiminas como empresa e, como tal, movimentadora de uma cadeia produtiva estratégica para a economia, como a indústria automotiva, de máquinas e equipamentos, construção civil, linha branca, naval, óleo e gás, distribuidores, entre outros.

Resultados 3T15

A Usiminas registrou prejuízo líquido de R$1,04 bilhão no 3T15, contra prejuízo líquido de R$780,8 milhões no 2T15. O número reflete, principalmente, a forte desvalorização cambial no período e o cenário de desaquecimento nos mercados siderúrgico e de minério de ferro.

O EBITDA ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) atingiu R$65,3 milhões negativos no 3T15, contra R$227,2 milhões positivos apresentados no 2T15. A performance reflete a queda contínua da demanda por aços planos no Brasil e dos preços de minério de ferro.

Neste contexto, as vendas internas de aço da Usiminas foram de 751,5 mil t (64% do total), menores em 11,6% do que no 2T15. As exportações aumentaram 0,8%, no período, totalizando 427,3 mil t (36% do total). Assim, o volume total de vendas de aço – de 1,18 milhão de t – caiu 7,5% em relação ao 2T15.

Com o objetivo de adequar produção com vendas, as usinas de Ipatinga-MG e Cubatão-SP produziram 1,1 milhão de t de aço bruto no 3T15, uma redução de 16% em relação à do 2T15. A produção de minério de ferro totalizou 738 mil t na Mineração Usiminas –27% a menos que o 2T15 – visando igualmente equilibrar a produção com vendas, que foram de 775 mil t.

Os investimentos totais (CAPEX) da Companhia foram de R$156,5 milhões no 3T15, 30,8% inferiores quando comparados ao do 2T15, resultado da estratégia da Companhia de controle de CAPEX e da diminuição do CAPEX de manutenção, em função dos desligamentos temporários de equipamentos nas plantas (na Usina de Ipatinga, um alto-forno; na Usina de Cubatão, um alto-forno e um laminador de chapas grossas).

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