NOVO FAIXA AZUL DESAGRADA COMERCIANTES

 

Primeiro dia de implantação do sistema gerou muitas reclamações, como a da Ném, funcionária da Realce, aqui na capa

Ruas vazias, consumidores insatisfeitos e comerciantes indignados. Era o cenário na tarde desta segunda-feira (26), no Centro de Coronel Fabriciano, no primeiro dia de implantação do novo Faixa Azul pela associação comercial em parceria com a Guarda Mirim e a Prefeitura. Lojistas não aprovaram a maneira como o sistema reiniciou e procuraram o Sindcomércio (Sindicato do Comércio Varejista e Atacadista de Bens e Serviços) Vale do Aço para expor suas reclamações.

Comerciante há 21 anos, Geralda Maria Carneiro, proprietária da loja Algo Mais – situada na Rua Maria Matos –, era uma das empresárias mais insatisfeitas. “Um cliente estacionou perto da minha loja e não encontrou nenhum funcionário do Faixa Azul para poder comprar o ticket. Saiu para fazer suas compras e quando voltou se deparou com uma advertência no pára-brisa. Novamente ele não viu nenhum garoto do Faixa Azul por perto para poder fazer o pagamento com medo de que a advertência pudesse virar multa. Esperou por mais de 30 minutos até aparecer um e poder resolver sua situação”, detalha a lojista, relatando que o consumidor pagou R$ 4 e foi embora revoltado.

Além dos poucos funcionários do Faixa Azul nas ruas, a dona da Algo Mais reclama que ao invés de educar, Prefeitura, Guarda Mirim e associação comercial estão mais preocupados, segundo ela, em multar. “O preço do ticket já subiu de R$ 1.50 para R$ 2 e, ao que parece, o novo Faixa Azul tem um único objetivo de arrecadar. Dependemos do comércio! Se as coisas continuarem como estão, os consumidores farão propaganda negativa do Centro de Fabriciano e irão optar pelo shopping, onde há estacionamento coberto e de graça”, prevê a comerciante.
Tempo máximo
Outra reclamação muito ouvida nas ruas do Centro de Fabriciano, nesta segunda-feira, era a respeito do tempo máximo de duas horas que o consumidor poderá deixar seu carro estacionado. “Se o cliente for pagar uma conta no banco e depois decidir resolver outros problemas, não terá tempo de passear por nossas lojas para realizar suas compras. Se entrar no carro novamente para procurar outra vaga, certamente irá embora”, observa Eline Maria Bretas de Assis, a “Nem”, da loja Realce Modas, situada na Rua Duque de Caxias.

A lojista reforça a necessidade da criação de vagas de estacionamento gratuitas, ao invés de um Faixa Azul que, funcionando como está, segundo ela, vai apenas espantar o cliente. “Nos aproximamos do final do ano e ao invés de conquistar o consumidor, estamos mandando ele embora da nossa cidade”, diz, reclamando também da falta de funcionários do Faixa Azul nas ruas.

Ruas vazias      

No comércio desde os 11 anos, mas empresário há seis em Fabriciano, Reinaldo das Graças Carvalho, da loja Garoupa, na Rua Dom Bosco, lembrou o momento ruim que o comércio vive devido à crise econômica, ressaltando a necessidade de se buscar ações que diferentes do que se quer no novo Faixa Azul, ou seja, que não gerem custos para o consumidor ou ao comerciante. “O resultado negativo foi imediato, pois nunca vi as lojas tão vazias na Rua Dom Bosco como hoje (segunda-feira, 26). O Faixa Azul está inibindo os clientes. Isso é uma vergonha!”, desabafou o comerciante, que ainda fez sugestões: “Sou a favor do Faixa Azul, mas com uma carência de pelo menos 30 minutos sem que o consumidor precise pagar. Algo que não gere tantos transtornos para as pessoas e que seja mais educativo.”
Outro lojista, que pediu para não ser identificado, revelou que Prefeitura e associação comercial alegam que a falta de vagas no Centro se dá pelo fato de os próprios comerciantes estacionarem nas principais vagas. “Assim como muitos outros empresários, eu não paro na porta. Então não concordamos com isso”, afirma, para complementar: “Não sou contra o Faixa Azul, mas também acho que para atrair o consumidor para cá é necessária uma carência de uma hora sem que ele tenha que pagar”, ressalta, acrescentando que os jovens que trabalham para o Faixa Azul geralmente são bem intencionados, mas acabam sofrendo com a indignação das pessoas que não concordam com a maneira como o sistema funciona.
“Recebemos dezenas de reclamações durante toda a segunda-feira. Muitos comerciantes ainda esperam que seja cumprida a lei municipal e que se crie o estacionamento na Praça da Estação, o que, infelizmente, está longe de acontecer. Agora, com esse Faixa Azul aparentemente pouco funcional, é normal toda essa indignação do empresariado. As reclamações dos lojistas são pertinentes e faz-se necessário encontrar soluções”, comentou Jair Zanela, Diretor-Administrativo do Sindcomércio.