MÃEDEMIA – POR TAÍS ESTRELA

De Taís Estrela recebo texto lindo, que me levou a pedir o imperdível: posso postar? E ela, sempre uma fofa, me autorizou. Então, é minha homenagem ao Dia das Mães:

 

Etimologicamente o “pan” de pandemia significa “tudo, todos”. O “pan” que eu transformei em mãe, se revela mais claramente neste momento.

“Pan” de toda presença (mesmo distante), “pan” de toda preocupação, “pan” de renovação de todos os valores.

Questionada sobre o que quero ganhar no dia das mães, refleti sobre como somos condicionadas geneticamente a pensar mais neles do que em nós. Se isso é errado eu não sei. Só sei que isso é ser mãe. Não é premeditado. É ser mãe. Não cabe julgamento nem explicações. E contrariando muitos, isso é amor próprio sim.

Há dois dias tenho refletido e pensado no presente, e este presente me fez pensar no futuro. Seria muito pedir de presente um futuro? Uma mãe nesse momento só quer de presente uma esperança de ver seus filhos realizados e felizes. Esse querer é natural, e um minúsculo e poderoso vírus transformou nosso querer em esperança, em uma poderosa arma pra amar e viver mais.

As mães não pedem. Elas sempre dão. E quando dão também recebem. Confesso que é uma lógica ilógica, mas intrínseca. Quando recebem um presente não ficam felizes pelo produto, mas pela lembrança. Um post com uma foto e um texto bonito, por exemplo, vale mais do que a bolsa mais cara. Um recadinho na geladeira vale mais que uma cesta de chocolate. Mãe vive de intenção e interação. Vive de atenção.

Mãedemia e pandemia portanto, se cruzam na intensidade. No cuidado que temos que ter. Ficar em casa, cuidar, acolher, conviver, se preocupar. Mãe é lar. Mãe é casa e asa.

Muitas pessoas podem querer mais do que precisam, ter mais do que necessitam. O vírus trouxe o sintoma da realidade. Bolsas, sapatos, roupas e maquiagens não atraem tanto as mães agora. O supérfluo perde a cor, o necessário retoma seu lugar. É necessário lavar as mãos de julgamentos e cobranças, evitar aglomeração de ego e culpas.

E quando tudo isso passar, poder usar a bolsa que você já tem, para viajar com quem ama. Usar as roupas legais que estão aí guardadas pra ir a um show que você sonha. Colocar o sapato que já tem para visitar as pessoas queridas. Usar sua maquiagem comemorar a formatura do seu filho.

E que de presente, essa escuridão nos traga a fé que alumia, o futuro e a alegria.

Em meio a pandemia, viva nosso dia.

 

 

Por Tais Freitas Estrela

Maio/ 2020