É PRECISO BRINCAR!

Adorei ler esta entrevista, feita ao site brasilpost.com. E acho extremamente pertinente, já que nos dá dicas de como ser hoje, com toda a nossa bagagem, e de como educar nossas crianças.

“O brincar é o aqui e agora, é quando você está sendo você na sua essência”. É nisso que acredita a documentarista Renata Meirelles, uma pesquisadora que viaja o Brasil para conhecer, por meio das brincadeiras infantis, diferentes aspectos da nossa cultura. Junto do marido, o documentarista americano David Reeks, Renata criou grandes projetos voltados para esse tema.

O que importa é você ter tempo pra brincar, é poder ter uma autonomia, uma liberdade naquilo que quer e naquilo que está fazendo. As crianças vão utilizar os recursos que elas têm disponíveis no lugar onde estão. Às vezes, a gente pode ter um ambiente incrível mas não contar com uma liberdade interna. Também considero importante a relação com a natureza ao brincar, porque isso deixa claro o que somos, qual é a nossa própria natureza.

4. Como você avalia o uso da tecnologia nas brincadeiras?

É claro que as crianças, quando estão acessando a tecnologia, elas têm esse isolamento, vivem numa brincadeira isolada. E, na verdade, eu considero mais como uma atividade do que uma proposta de livre expressão. Acho que há, sim, uma restrição de convivência corporal. Mas o que a gente precisa é um discurso para além das telas, das mídias e da tecnologia. Temos que entender o fenômeno do brincar e da infância. É necessário acabar com essa ideia de que a infância se perdeu. A gente acredita que a infância está esvaziada e, quanto mais dizemos isso, mais acreditamos que não tem jeito. E aí, a criança acaba consumindo muita tecnologia e preenchendo muito o seu tempo. E, na verdade, ela não tem que ser ocupada. Ela sabe gerenciar a sua própria liberdade. É só a gente oferecer isso a ela.

5. Há diferenças entre brincar sozinho e com outras crianças?

Os dois são importantes. Ficar sozinho e ter espaços de solidão, de devaneios, de silêncio, de respiros no dia a dia é uma procura importante das crianças. Mas isso tem que ser uma das opções, e não a única. A criança que não tem opção de ficar só, de brincar sozinha, aquela que está o tempo todo dentro de instituições, ela sente muita falta disso. Ela sabe o que precisa e é importante que tenha meios de buscar aquilo.

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