DA ISTOÉ DINHEIRO: A RETOMADA DA USIMINAS

O reconhecimento pelas medidas acertadas tomadas na crise deram à Usiminas matéria de destaque na revista ISTOÉ DINHEIRO, que eu transcrevo aqui pra vocês:

Não há termômetro melhor para aferir a temperatura da atividade econômica no Brasil do que a produção e a venda de aço pelas siderúrgicas. O produto está na construção civil, nas montadoras, nas fábricas de eletrodomésticos, nas grandes obras de infraestrutura. Após a indústria amargar uma crise sem precedentes – a Produção Industrial Mensal acumulada dos 12 meses encerrados em julho aponta queda de 5,7% –, o setor começa a sair do buraco. E aposta na retomada ainda em 2020. Nesse contexto, a gigante Usiminas é emblemática. Líder no segmento de aços planos no Brasil, ela se movimenta para crescer. Três indicadores marcam esse momento.

O primeiro deles é a decisão de rever os investimentos, de R$ 600 milhões para R$ 800 milhões. Ainda abaixo do R$ 1 bi previsto na pré-pandemia, mas 33% acima do corte decidido há cinco meses. O segundo é o aumento da rentabilidade, puxada pelas exportações. O terceiro, e mais simbólico, é a decisão de religar um dos altos fornos de Ipatinga (MG) e retomar as operações na fábrica de Cubatão (SP). “A retomada tem um significado grande, porque não produzimos nada que não esteja vendido. Não fazemos produção de estoque”, afirmou à DINHEIRO o CEO da companhia, Sergio Leite.

A aposta está no crescimento gradual da produção industrial, que subiu 8% em julho em relação a junho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e teve alta em 25 dos 26 setores. “No momento em que a economia se reativa, vamos pelo mesmo caminho”, disse Leite. “Consumo de aço e crescimento econômico andam juntos.” Nessa perspectiva de seta para cima no último quadrimestre deste ano, a siderúrgica mineira vislumbra a saída do fundo do poço que o setor automotivo viveu.

Montadoras estão entre os principais clientes da Usiminas na utilização de aços planos e, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a produção alcançou 210,9 mil unidades em agosto, 23,6% a mais do que o registrado em julho (170,7 mil). Em abril, ponto alto da crise, foram produzidos irrisórios 1,8 mil veículos. Sem montagem de carros, o consumo de aço foi ao chão. E é justamente nesse tombo do setor automotivo que está parte da resposta para o resultado do segundo trimestre da Usiminas, impactado integralmente pelos reflexos da pandemia da Covid-19. A receita líquida total alcançou R$ 2,4 bilhões, queda de 34% sobre o mesmo período de 2019 (R$ 3,7 bilhões). A companhia registrou prejuízo líquido de R$ 395 milhões, contra lucro líquido de R$ 171 milhões no segundo trimestre de 2019. “As empresas do grupo que são focadas no negócio aço foram impactadas pelo reflexo da pandemia. Já a mineração foi muito bem.” Mas não o bastante para impedir o tombo nas receitas.

Ainda que em queda na receita no período de março a junho, as exportações contribuíram para minimizar o impacto. Com o dólar em alta, mesmo com redução no volume de vendas para o exterior, a fatia da receita do que foi enviado para fora do Brasil ficou maior. A queda no volume de exportação no segundo trimestre de 2019 contra 2020 foi de 7,3% (de 110 mil toneladas para 102 mil). Mas a receita nesse segmento cresceu de R$ 591 milhões, de abril a junho de 2019, para R$ 897 milhões, somando os mesmos meses deste ano. O share das exportações mais do que dobrou no período, passando de 16% para atuais 37%. A empresa deixa claro que não se tratou de uma decisão estratégica, mas simplesmente pela queda das vendas no Brasil. Nesse crescimento do mercado interno nos próximos meses está o principal simbolismo da retomada do alto forno 1, em Ipatinga, no fim de agosto, em ato que teve verniz político, com o presidente Jair Bolsonaro e o governador mineiro Romeu Zema. O forno ficou 120 dias desligado pela queda brutal na demanda de aço no País. Sozinho ele produz 600 mil toneladas ao ano, o equivalente a pouco mais de 17% da capacidade total da unidade de Ipatinga, de ferro-gusa, matéria-prima para a fabricação do aço. Também foi retomada a operação de laminados na fábrica de Cubatão. O alto forno 2, também desligado em abril e com a mesma capacidade do forno 1, segue sem data para a volta. A única certeza é de que não será em 2020. “Com a reativação do alto forno 1 e a operação de Cubatão, conseguimos abastecer o mercado de forma equilibrada neste ano”, afirmou Leite. O alto forno, também em Ipatinga e que não foi paralisado, é responsável pela produção de 2,2 milhões de toneladas de ferro-gusa.