AS ANALÓGICAS ESTÃO DE VOLTA

Com o fácil acesso, dinamismo e qualidade proporcionados pela fotografia digital, por que deveríamos pensar em voltar a fotografar com filme? Pois consagrados fotógrafos de moda estão re-experimentando a sensação de tirar um rolo de filme; encaixar a abinha de um filme 35mm em uma bobina; desembrulhar um rolo 120mm tentando não expor muito do filme à luz; ou colocar um negativo numa espiral de revelação, habilidades e rituais simples que marcam a profissão.

Muitos fotógrafos gastam um tempo precioso de pós-produção tentando recriar em imagens digitais o visual do filme, já que o grão de uma fotografia analógica é bem mais agradável que o ruído de uma câmera digital. Então, qual a melhor maneira de criar uma imagem com visual de filme? Usando uma câmera analógica! Diferente da fotografia digital, quando se fotografa com câmeras analógicas, você precisa comprar o tipo certo de filme para o tipo certo de luz. Quando você utiliza, pela primeira vez, um rolo de filme feito para luz do dia sob uma luz de tungstênio (amarelada), você começa a entender a importância da cor da luz.

Para muitos usuários de filmes, câmeras como Nikon F5, Hasselblads e até Leicas eram apenas sonhos. A ideia de, um dia, ter essas maravilhas alimentava nossa paixão pela fotografia. Sujar as mãos revelando e ampliando seus próprios filmes é uma das melhores coisas na fotografia. É simples fazer um quarto escuro temporário em um espaço tão grande quanto o utilizado pela mesa de trabalho. A sensação de uma ampliação em preto e branco aparecendo devagarinho debaixo da luz vermelha de segurança emociona até mesmo os mais acostumados com fotografia digital.

Um dos mais incensados fotógrafos internacionais de moda, Oleg Oprisco aderiu à fotografia analógica e tem feito trabalhos espetaculares. Entusiasta da fotografia analógica e da luz natural, o ucraniano passa um bom tempo lapidando ideias e preparando as cenas que deseja fotografar. Mas tudo isso pode vir abaixo na hora da revelação, o que explica a metáfora do jogo que ele mesmo emprega para descrever seu trabalho: ou se ganha tudo ou se perde tudo.

No Brasil, Helm Silva, talentoso fotógrafo da nova geração, exibiu suas mais recentes obras na revista Vogue de janeiro.
Vejam que lindas são as fotos surgidas das luzes vermelhas:


Com http://f508.com.br/