A USIMINAS E UM OUTRO OLHAR SOBRE ARTE E SUSTENTABILIDADE

Acostumada a fazer trabalhos artesanais com tecidos, a pedagoga, artesã e contadora de histórias Adriane Lima recebeu o desafio de criar arte a partir de um material inusitado: o agregado siderúrgico da Usiminas, que é originado do processo produtivo na Usina de Ipatinga. O convite foi feito pelo Instituto Cultural Usiminas e foi o ponto de partida para a realização de oficinas na última edição da Expo Usipa, feira de negócios realizada anualmente no Vale do Aço.

O objetivo era ensinar ao público maneiras criativas de transformar o material em arte sustentável. “Quis criar algo que unisse os dois universos, o da Usiminas e o de Ipatinga, que têm histórias interligadas. O bem natural mais reconhecido da cidade são os pássaros, muito presentes nos quintais das casas, especialmente o sabiá-laranjeira”, explica Adriane.

A artista mergulhou em um trabalho de pesquisa para desenvolver o pássaro artesanal, que utiliza retalhos de uniformes da usina, pó de agregado siderúrgico e o agregado em pedra, que serve de suporte para a peça. “Inicialmente, só usaria o pó para rechear o corpo do passarinho. É um material muito interessante, bastante moldável. Meu marido trabalha há 30 anos na Usiminas e me contou que o material existe também em forma de pedra. A partir daí, selecionamos as que tinham tamanho e formato adequados.”

Depois da realização da primeira oficina, que foi um sucesso de público, o pássaro artesanal criado por Adriane alçou voos maiores. “Faço parte da associação de artesãos de Ipatinga, a Casa do Artesão, e buscávamos um artesanato representativo da cidade. O passarinho acabou sendo um passo importante nesse processo, principalmente por aliar símbolos conhecidos de Ipatinga”, afirma a artista. De acordo com Adriane, as peças têm sido cada vez mais solicitadas por familiares, amigos e moradores que querem presentear visitantes.

A diretora do Instituto Cultural Usiminas, Penélope Portugal, destaca a importância de se aliar sustentabilidade e arte. “Fazemos parcerias com artistas da região para levar à comunidade atividades lúdicas que utilizam o agregado siderúrgico como matéria-prima, como na pintura e na ilustração, por exemplo. Esse trabalho mostra que, com criatividade, é possível encontrar formas de reutilizar materiais gerados pela atividade da indústria do aço”, afirma a diretora.

Novas possibilidades de aplicação

O agregado siderúrgico é um material resultante do beneficiamento da escória de Aciaria e oriundo do processo produtivo da indústria do aço. Antes, era destinado principalmente para grandes projetos de pavimentação rodoviária e ao aterro controlado. Uma mudança de paradigma transformou esse material, por meio da segregação e beneficiamento, em coprodutos com diversas aplicações em mercados como agricultura, cimento, lastro ferroviário, construção civil e reciclagem interna.

O programa Caminhos do Vale, da Usiminas, viabiliza a pavimentação de estradas rurais no Vale do Aço a partir desse agregado. Por meio da iniciativa, já foi aplicado mais de 1 milhão de toneladas utilizadas em cerca de 600 quilômetros de estradas rurais, na restauração de 50 quilômetros de vias urbanas e na recuperação de 35 pontes, encostas e áreas degradadas.